Em tempos de ficha limpa estive pensando é possível a ética na política?
"Faça o que deve para que aconteça o que você deseja". Essa máxima encontrou no pensador italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) sua mais forte expressão e configura o que o cientista político, também italiano, Norberto Bobbio, da Universidade de Turim, ainda hoje considera um dos problemas centrais da filosofia política. "Não se pode dizer que o obrigatório, em moral, o seja em política". O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1824) sugeriu o seguinte: toda vez que você agir, faça-o de modo que sua ação seja uma norma universal.
O médico, satirista e filósofo holandês Bernard de Mandeville (1670-1733), propõe o seguinte exemplo no livro A fábula das abelhas - Vícios privados e benefícios públicos: no século XVII, em Amsterdam, cidade portuária de sólida moral protestante, existia grande tolerância para com a prostituição. Como era possível? É que a cidade recebia muitos marinheiros, havia meses sem ver mulher; donzelas e senhoras da sociedade correriam risco, na ausência das prostitutas. Melhor tolerá-las, nas casas de tolerância, e proteger as famílias.
Esse exemplo mostra como valores do mundo privado nem sempre servem no mundo público. Aliás, a palavra público tem dois sentidos: bem comum, senso de coletividade; e conjunto de pessoas que assiste a algo, a um espetáculo. Continuando: quem representa, no espetáculo, representa um papel; e um político também é um representante. O sociólogo e economista alemão Max Weber (1864-1920) analisou essa oposição, distinguindo ética de convicção e ética da responsabilidade. São dois universos, o público e o privado. Por exemplo, salvo em casos excepcionais, a violência individual costuma ser condenada; já a violência de grupo, digamos, a polícia que se envolve em tiroteio com traficantes de drogas é justificada. "Uma das razões que torna injustificável a violência do indivíduo", escreve bobbio, "é que a violência coletiva o protege." Mas nem precisamos de exemplos tão fortes.
Como no Brasil se privatiza o público, cada um produz sua própria lei. O sinal ficou vermelho, mas eu estou com pressa, isso justifica meu direito de passar. Com os políticos de hoje é possível ter ética na política?
Sendo o político um representante do povo, e o povo agindo com o famoso jeitinho brasileiro será que teremos bons representantes?
Precisamos moralizar a política, mas como se o problema começa no povo. Os políticos são os representantes do povo, eleitos pelo povo e saídos do povo. Para mudar esta triste história é preciso construir um sentimento de nação. Mas a Copa do Mundo está chegando então todos lembraremos que somos brasileiros. Até lá ficaremos com a esperança de que o projeto "Ficha Limpa" seja aprovado e entre em vigor antes das próximas eleições.

Bem, a proposta e muito boa, agora só gostaria de saber; Quem vai julgar esta tal ficha limpa? Alguém de fora do Brasil? Talvez a ONU?
ResponderExcluirPor que no Brasil, tudo tem seu jeitinho. E dependendo desse tal jeitinho, acredito que um monte de "ficha suja" vai estar ai nas próximas eleições.
O saudoso Renato Russo já dizia:
“Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião"
Acho o projeto Ficha Limpa muito importante para moralização da política brasileira é um ponta pé na questão de combate a corrupção.
ResponderExcluirPrecisamos apoiar esta iniciativa, concordo com a questão levantada neste post no Brasil com o famoso jeitinho fica difícil mas não é impossível vamos unir a juventude em favor deste Projeto: Lugar de corrupto e na cadeia.
PS.: Precisamos construir mais e melhores cadeias.